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Tempos de Mim…

TEMPOS DE MIM... - Trechos da entrevista de Byron de Quevedo a Maria da Soledade do JOS (Jornal das Organizações Sociais) em maio de 2002

... O estilo musical foge à normalidade. "É um arrastarock", diz o autor. Talvez resquícios de sua adolescência, dos tempos vividos nos EUA e do momento atual. O autor presta uma homenagem aos amigos de um período marcante de sua vida...

Tempos de Mim… é imperdível. Todas as letras e músicas são de autoria de Byron, e acaba sendo um convite para se ouvir falar do amor ao próximo, da vida difícil do estudante, do dia a dia, de uma forma diferente - cheio de realidade e sonhos.

Com muita simpatia Byron Quevedo recebeu a equipe do JOS para esta entrevista:

JOS - Como surgiu a idéia deste CD?
Byron - Meus primeiros poemas surgiram na minha adolescência. A partir daí algumas situações que eu vivi me levaram a caminhar lado a lado com a arte, seja escrevendo músicas, peças de teatro...

JOS - Você falou de algumas situações de sua vida. Quais foram essas situações?
Byron - Hoje eu costumo dividir minha vida em três etapas: minha adolescência (início de tudo), o tempo que eu vivi nos EUA e o lançamento deste CD. A partir daí (adolescência) fui colocando no papel minhas idéias - maneiras de pensar, modo de agir, mostrando por meio de meus poemas que a vida pode ser pensada de outra forma. Que temos, por exemplo, de agradecer sempre o nosso dia, nossa família, nossos amigos. Enfim, vejo minha vida hoje de forma simples, mas rica em pensamentos positivos.

JOS - Nessa nova forma de ver a vida, onde está Deus?
Byron - Deus é presença...

JOS - Como foi sua vida nos EUA?
Byron - Igual a de todos os estudantes Brasileiros que vão para aperfeiçoar a língua. Mas, particularmente acho que eu soube aproveitar muito bem este período. Conheci pessoas geniais, entrei em contacto direto com os movimentos negros. Descobri por exemplo, que havia muitos pontos de semelhanças entre a música lá e a nossa música aqui. Foi uma época de saudades dos familiares, dos amigos, mas foi também de muito aprendizado.

JOS - Quando você voltou dos EUA, você estudou no CEUB e trabalhou no Correio Brasiliense. Como foi esse período?
Byron - Sim. Falar da época de CEUB levaria horas e horas, foi um dos maiores momentos que vivi, onde fiz vários amigos ... Na época que trabalhei no Correio tive oportunidade de conviver com vários artistas, ... O Glauber era a genialidade em pessoa. Muito devemos a ele. Vou citar apenas um exemplo - os movimentos de rua que nasceram de sua coragem. Glauber não ficava esperando a vida pasar, ele fazia acontecer, sem reservas e sem medos.
Quanto a Carlos Drummond nós trocamos várias correspondências. Ele queria fazer uma poesia sobre as favelas de Brasília e eu lhe enviava os subsídios. Daí saiu a poesia de 1981 chamada Confronto, onde ele mostra as duas realidade sobre Brasília e a Ceilândia. A poesia é belíssima.

JOS - Como foi sua convivência com Renato Russo?
Byron - Entramos no CEUB na mesma época (1978). Manfredini, como eu o chamava, era uma pessoa bem informada sobre tudo, principalmente sobre a sociedade Brasiliense. Nessa época ele era professor de inglês. O que eu acho incrível é que das discussões em sala de aula nasceram músicas incríveis como Geração Coca-cola e Tempos Perdidos. Renato parecia carregar séculos de vida sobre si, e esta vivência era traduzida em belos versos. Foi sem dúvida um grande poeta, que nos deu uma grande contribuição. Me sinto privilegiado por ter compartilhado dos mesmos ideais.

JOS - Em "Tempos de Mim", qual é sua música preferida?
Byron - Olha, fica difícil falar em uma música. Todas elas retratam situações, momentos, homenagens e etc. "Vou morar na Estrutural" é uma música que gosto muito, onde eu falo de situações reais de muitos que chegaram à Brasília. Faço uma homenagem ao povo baiano na música Micarê e Caldeirão. Os baianos criaram um rítmo fantástico. Você pode imaginar um palco andando? Pois é, eles fizeram isso, não é genial? "Criança do Amanhã" eu tenho um carinho especial. Não saberia dizer qual eu gosto mais.

JOS - Como você define a linha musical do "Tempos de Mim…"?
Byron - É arrastarock.

JOS - O que é arrastarock?
Byron - É uma mistura do rock com o shot/baião (Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro) e as catiras mineiras/goianas. Juntei estes estilos e criei o arrastarock.

JOS - Quando você pretende lançar o próximo CD?
Byron - Já tenho várias músicas inéditas e minha expectativa é que eu o lançarei no início do próximo ano.

Veja as cartas (Arquivo 01 e Arquivo 02) e a poesia enviadas por Carlos Drummond de Andrade a Byron de Quevedo.